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Testemunho Missionário Pastoral
Leonardo Tadeu da Silva Oliveira, SDB

Confira o testemunho missionário do religioso Salesiano de Dom Bosco (SDB), Leonardo Tadeu da Silva Oliveira, que está concluindo seu 2º ano de Tirocínio na comunidade salesiana do Noviciado Sagrado Coração de Jesus, em Barbacena­ (MG), e que, neste ano que se inicia, irá viver e trabalhar como salesiano assistente na comunidade salesiana de São Gabriel da Cachoeira (AM). O relato foi publicado na edição nº 205 de O Tapiri, informativo de Comunicação Pastoral da Inspetoria São Domingos Sávio:

 

 

 

Olá, meus queridos amigos e amigas!

 

Eu me chamo Leonardo Tadeu da Silva Oliveira, sou religioso Salesiano de Dom Bosco e estou concluindo meu 2º ano de Tirocínio na comunidade salesiana do Noviciado Sagrado Coração de Jesus, em Barbacena (MG). Tenho a idade de 25 anos e sou natural da cidade de Anápolis, no estado de Goiás. Nesse próximo ano, em 2021, vou viver e trabalhar como salesiano assistente na comunidade salesiana de São Gabriel da Cachoeira (AM), na Inspetoria São Domingos Sávio (BMA). Por isso, é cheio de alegria e entusiasmo que venho partilhar um pouquinho da minha história e da minha vocação salesiana e missionária.

 

Sou ex-aluno das Filhas de Maria Auxiliadora (Salesianas) e foi dentro da casa salesiana, junto aos grupos de AJS e à Pastoral do colégio, que conheci nosso carisma e onde despertou a graça da vocação para a vida religiosa. Uma experiência que marcou muito meu discernimento foi a participação em semanas de voluntariado, promovidas por nossas irmãs, chamado VIDES (Voluntariado Internacional de Educação à Solidariedade). Durante uma semana, por três anos consecutivos, eu e tantos outros jovens vivemos a experiência de estarmos inseridos numa realidade periférica, trabalhando junto com os mais pobres, escutando suas necessidades e histórias e partilhando com eles a “alegria do Evangelho”, à maneira salesiana, sobretudo com nossos oratórios. Portanto, desde a primeira consciência que eu tenho da minha vocação salesiana, aos 13 anos, a dimensão missionária já estava muito latente em meu coração.

 

Quando comecei o acompanhamento vocacional, com os Salesianos da Inspetoria São João Bosco, com sede em Belo Horizonte-MG, nossos encontros eram marcados por um momento muito significativo para mim. Era o momento de assistir alguns dos vídeos missionários da Congregação, produzidos pela “Missioni Don Bosco TV”. Eu ficava muito encantado e entusiasmado pela vida salesiana, graças a esses pequenos vídeos, que mostravam a realidade, muitas vezes dura e penosa, de SDB em várias realidades do mundo. E, mesmo nessas realidades tão difíceis, havia Salesianos generosos e fiéis à missão e ao apostolado. Nesse mesmo período, um vídeo me chamou muito a atenção, porque falava do nosso país e mostrava a realidade missionária de SDB no Brasil. Esse vídeo falava sobre a realidade salesiana na Amazônia e tinha o testemunho belíssimo de Dom José Song, SDB, missionário e, na época, bispo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira (AM). Esse vídeo despertou em mim um desejo profundo de que, se um dia eu me tornasse SDB, eu gostaria de ser também um missionário.

 

Ao entrar para a formação inicial, em 2014, no meu Pré-Noviciado, em Pará de Minas-MG, o primeiro documento da Congregação que eu recebi foi o manual “A Formação Missionária dos Salesianos de Dom Bosco”. Ao receber esse pequeno subsídio, senti confirmar em mim o quanto a vocação missionária é querida e possível em nossa Congregação. Portanto, o amor e o desejo de me incorporar entre os SDB missionários sempre esteve presente em meu coração e em minhas orações. Entretanto, a ideia de ir para fora do país nunca me pareceu mais atraente que a possibilidade de servir e estar entre os povos originários do meu próprio país, que são muitas vezes excluídos, discriminados e provados por diversas dificuldades e descasos.

 

 

 

No ano da graça do meu Noviciado, em 2015, vivido em Barbacena (MG), sob a guia do Pe. Lauro Takaki Shinohara, SDB, tive a oportunidade de ser acompanhado e orientado acerca das minhas motivações vocacionais para a vida religiosa salesiana e também sobre meu “sonho” missionário. Os conselhos do meu Mestre me ajudaram muito a entender que o mais importante para um salesiano missionário não é saber fazer muitas coisas ou ter muitas habilidades, mas, sim, ser capaz de interessar-se pelo outro e encantar-se diante das belezas e riquezas das culturas e costumes dos povos. Porque é a partir dessa capacidade de interesse e encanto pela outra cultura que podemos encarnar o Evangelho. E, para nós SDB, com uma atenção especial às crianças, adolescentes e jovens! Esses conselhos do meu Mestre de Noviciado me ajudaram a firmar ainda mais a vocação missionária em meu coração e perceber que, mesmo com minhas fraquezas e debilidades, poderia colocar-me à disposição das missões.

 

A fase do meu Pós-noviciado foi vivida na cidade de Campo Grande (MS), onde, por três anos, realizei meus estudos filosóficos e aprofundei a formação salesiana. Um fato interessante é que, tanto em meu Noviciado como no Pós, tive a grata oportunidade de viver em comunidades interinspetoriais, que chamamos de Curatorium, onde, numa mesma casa, vivem salesianos provenientes de mais de uma Inspetoria. Foi nessas ocasiões que, pela primeira vez, conheci os Salesianos da Inspetoria Salesiana Missionária da Amazônia (ISMA). Acredito que a convivência com os irmãos provenientes da Inspetoria de Manaus foi progressivamente nutrindo e fortalecendo a minha vocação missionária. Ouvir os relatos das tantas experiências de missão, conviver com salesianos indígenas, conhecer as tantas histórias e crenças dos povos originários, experimentar as riquezas culinárias e ver fotos e filmagens das exuberantes paisagens do Norte do nosso país foram ocupando meus pensamentos e foram fazendo crescer meu desejo de experimentar pessoalmente todas essas sensações e viver e anunciar o Evangelho nessas realidades, com SDB missionário.

 

No meu primeiro ano de Tirocínio, em 2019, fui enviado para a comunidade salesiana de Rocha Miranda, na periferia da cidade do Rio de Janeiro (RJ), onde atuei como coordenador de Pastoral do nosso colégio e paróquia. Foi uma experiência singular de proximidade com o povo daquele lugar, de modo especial com a juventude carioca. Foi um tempo de muito crescimento humano e pastoral! E, finalmente, meu segundo ano de Tirocínio, em 2020, como apontei no início do meu texto, está sendo vivido em Barbacena (MG), como assistente dos nossos Noviços. Está sendo um tempo de amadurecimento espiritual e intensa renovação do ardor da vocação salesiana. Gosto de sintetizar esse tempo de Tirocínio como o tempo da amorevolezza, termo italiano que designa uma das bases do Sistema Preventivo de Dom Bosco, sendo compreendido como um “amor demonstrado, feito ação”. O Tirocínio é o tempo de experimentar o amor a Deus, aos irmãos e aos jovens. É tempo de amar e ser amado. É tempo rico e precioso de experimentar a vida salesiana em toda a sua beleza!

 

Movido por essa história rica da presença de Deus, manifestada através de tantos irmãos e irmãs e tantas situações, é que tomei a decisão de me colocar à disposição da Congregação para ir às missões. Por isso, pedi para ser enviado às missões da Inspetoria São Domingos Sávio (BMA) e, assim, incorporar o número dos salesianos missionários da Amazônia! Enxergo esse momento como a realização de um projeto que não é meramente humano, mas é projeto de Deus, que foi pouco a pouco sendo revelado para mim. E, por graça e misericórdia de Deus, eu fui progressivamente assumindo e respondendo com a própria vida e o dom de si. Sendo acolhido pelos irmãos desta Inspetoria, quero aprender a ser salesiano missionário e, com muita alegria e brilho nos olhos, poder repetir diariamente: sou Salesiano missionário e quero, com os povos da Amazônia, viver o Evangelho e o carisma de Dom Bosco.

 

Fonte: Leonardo Tadeu da Silva Oliveira, SDB / Inspetoria São João Bosco


T205 O Tapiri: Comunicação Pastoral da Inspetoria São Domingos Sávio - BMA / Pe. Jefferson Luís da Silva Santos, SDB (org.); P Daniel Cunha (Coord.) Manaus: Editora FSDB, 2020.