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Missionários Salesianos produzem vídeo na língua xavante para alertar indígenas sobre a pandemia Geral
Missionários agem após perceberem que os materiais disponibilizados em Língua Portuguesa sobre a COVID-19 não são bem entendidos pelos Xavantes

O vídeo de 15 minutos foi produzido e dirigido pelos missionários salesianos, Pe. Aquilino Tseré’ub’õTsirui’á e Pe. Bartolomeo Giaccaria. A apresentação é do Pe. Aquilino, que é xavante. Ele conta a história da origem do vírus, fala das orientações gerais sobre a transmissão e prevenção, além de citar as mensagens do Papa Francisco, do Reitor-Mor dos salesianos, Pe. Ángel Fernández Artime e do inspetor da Missão Salesiana do Mato Grosso (MSMT), Pe. Ricardo Carlos. Também colaboraram na produção os padres salesianos Eloir de Oliveira e Francisco Lima. A edição foi feita pelo cineasta indígena da Missão de Sangradouro, Divino Tserewahú, com a intenção de que o material seja compartilhado pelos indígenas por mídia eletrônica, aplicativos de celular e redes sociais.

 

Gripe mortal — Historicamente, os vírus gripais dizimaram comunidades inteiras de indígenas por todo o Brasil, desde o início da colonização. O contato com um novo vírus gripal agressivo também para os não-índios, é ainda mais perigoso para a saúde dos xavantes.

No Brasil, em três meses de pandemia, os números oficiais divulgados pela Secretaria Especial de Saúde Indígena indicam a ocorrência de 103 mortes de indígenas por COVID-19 e pelo menos 3.079 contaminados até o dia 16 de junho. Já de acordo com os dados coletados pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), até o dia 14 de junho, são 281 indígenas mortos e 5.361 contaminados pelo vírus chinês em todo o País.

 

Casos identificados — No dia 11 de maio, uma criança Xavante de apenas oito meses, da Terra Indígena Marãiwatsédé, localizada no município de Alto Boa Vista (MT), foi a vítima mais nova do coronavírus no Estado e o primeiro óbito entre indígenas em Mato Grosso, de acordo com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde. Na última quarta-feira (17), surgiu mais um caso de um indígena Xavante testado positivo para CoronavÍrus. Ele é adulto e reside numa das aldeias da terra indígena Parabubure, pertencente à Paróquia São Domingos Sávio. O indígena está internado em isolamento na CASAI da cidade de Campinápolis.

 

Atendimento — Até o dia 29 de maio, dos quatro casos que até então haviam testado positivo para COVID-19 entre indígenas de Mato Grosso, todos são Xavante, sendo três da TI Marãiwatsédé, de onde é originário o Pe. Aquilino. O atendimento à saúde dos Xavante no território da Paróquia São Domingos Sávio, onde foi produzido o vídeo, é feito pelo governo federal, através da SESAI (Secretaria Especial de Saúde Indígena), que contrata ONGs para desempenhar o serviço. De acordo com o Pe. Eloir, diretor da comunidade salesiana de Nova Xavantina (MT), o atendimento de saúde aos indígenas é inconsistente. “É um atendimento bem precário, sobretudo pela falta de médicos. Depois do encerramento do Programa Mais Médicos, algumas Micro Áreas passaram a contar com um médico que atende de modo temporário (fica somente 15 dias na Micro Área e, depois, vai para outra) ”, afirmou.

 

A Missão Salesiana e outras entidades missionárias colaboram com o fornecimento de remédios naturais: a pomada para cura de doenças dermatológicas e musculares e o xarope contra doenças pulmonares. Estas são as doenças mais comuns entre os Xavante. Há um elemento religioso que atua junto com os benefícios dos remédios naturais, principalmente a “Pomada do Pe. Giaccaria”.

 

COVID-19 — Depois da chegada do vírus chinês ao Brasil, os missionários perceberam que os materiais falando sobre medidas de prevenção e orientações para o tratamento eram todos em Língua Portuguesa e não foram bem entendidos pelos Xavantes. Por isso, uma parte dos indígenas ainda se recusa a adotar as medidas de prevenção. Então, surgiu a ideia de produzir o vídeo, em Língua Xavante, cujo foco não era tanto as medidas de prevenção, já bastante divulgadas, mas mostrar a origem da doença e que se tratava de uma pandemia. Um dos erros que havia entre os Xavantes era o pensamento de que esta seria uma doença que atingiria somente os não indígenas das cidades. “O vídeo procura mostrar que o Coronavírus atinge a todos e não basta ter fé cristã ou cultural para ficar imunizado”, lembra o Pe. Eloir.

 

Divulgação — Devido ao acesso tecnológico da comunidade, a distribuição do vídeo, inicialmente, foi em forma de DVDs. Foram distribuídos cerca de 200 discos, não só no território da Paróquia São Domingos Sávio, mas também nas terras indígenas de Sangradouro e São Marcos. Depois, o material foi adaptado para ser compartilhado por WhatsApp e isso possibilitou uma maior divulgação.

 

Conscientização — Uma parte dos Xavante já adquiriu a consciência sobre os graves riscos dessa pandemia e estão convencidos da necessidade de seguir as normas gerais de prevenção: diminuir ao máximo o contato com os não indígenas das cidades; evitar as aglomerações de pessoas; uso de máscaras e outras medidas de higiene pessoal. Mas muitos ainda insistem em se proteger somente com a realização de rituais de cura e invocação dos bons espíritos culturais.

 

Fonte: ANS