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Dom Bosco e a coleta diferenciada do lixo à porta Geral
Carta recém recuperada revela que, há 140 anos, Dom Bosco foi também um pioneiro da coleta diferenciada do lixo a domicílio e um gênio da caridade cristã

Quem diria? Dom Bosco pré-ecologista? Dom Bosco, há 140 anos pioneiro da coleta diferenciada do lixo a domicílio? Sim! Pelo menos, assim diz uma das suas cartas – recuperada recentemente e que confluirá para o IX Volume do Epistolário, em preparação: uma carta de 1885, que na Turim da época, antecipa e, obviamente à sua maneira, “resolvia” um dos grandes problemas que enfrenta a sociedade de hoje, a assim chamada do “consumo” e do “usa e joga fora”. Trata-se de uma carta circular com destinatário genérico, mas certamente pertencente às famílias abastadas da cidade.

 

Na carta, após prender a atenção dos seus interlocutores, Dom Bosco apresenta imediatamente a possibilidade de reutilizar o lixo, especificamente “os ossos que ‘sobraram’ à mesa e geralmente jogados no lixo pela família”, os quais, ao invés, “se, reunidos em grande quantidade, se tornam [...] úteis à humana indústria”. Dom Bosco sabia, de fato, que “uma indústria de Turim, com a qual me pus em contato, adquiriria tudo quanto se dispusesse”.

 

A proposta do Santo dos Jovens – acordada com a firma interessada, que provavelmente teria reutilizado os ossos para fazer ou produtos alimentares para animais ou adubos para o campo – era que as “abastadas e benévolas famílias dessa ilustre cidade […] ao invés de deixar que se estragasse ou se desperdiçasse esse ‘sobejo’ da sua mesa, os cedessem gratuitamente em benefício dos pobres orfãozinhos acolhidos nos meus Institutos”.

 

O projeto beneficiava a todos: as famílias se livravam de parte das sobras, a empresa achava recursos, Dom Bosco arrecadava dinheiro para as missões e as ruas ficariam mais limpas. Mas precisava também pensar na organização. E eis que Dom Bosco planeja também a coleta de porta em porta: “Àquelas famílias, que tiverem a bondade de aderir a este humilde pedido meu, será entregue uma adequada sacola, onde acolher os mencionados ossos […] A sacola trará as letras iniciais O.S. (Oratório Salesiano) e a pessoa que passar para esvaziá-la, também apresentará algum sinal para se identificar perante V.S. ou seus familiares”.

 

Por último, Dom Bosco fornece também incentivos espirituais pela adesão: “a gratidão de milhares de pobres jovenzinhos, e [...] a recompensa de Deus” – e provê até a elaborar a subscrição ao projeto, pensando mesmo numa ficha a ser destacada e enviada como resposta à sua Carta.

 

Não se sabe quantos tenham aderido à sua oferta; mas permanece o fato de que – além de ser um grande educador, um longevidente fundador e um homem de Deus – Dom Bosco foi também um gênio da caridade cristã.

 

Uma versão mais extensa do artigo estará disponível no número de dezembro do Boletim Salesiano italiano.

 

Fonte: ANS