notícias da pastoral

“Jovens, tendes algo para comer?" (Jo. 21, 5) Pastoral
Jesus Ressuscitado à margem do mar com seus discípulos

A experiência da ressurreição, que bate à porta do nosso coração, leva-nos a pensar na capacidade que temos de vivê-la intensamente no cotidiano da nossa vida. Convida-nos a vivê-la não como um conceito teológico e abstrato, mas, como uma realidade viva e experiencial. Dinâmica e transformadora. Ela nos torna protagonistas da nossa história e da história do mundo.

 Chama-nos à atenção o início do capítulo vinte e um do Evangelho segundo São João. É o relato da pesca abundante. À beira do Mar de Tiberíades aparece, Jesus a um grupo de discípulos, que estavam pescando sem muito sucesso.

No meio da agitação do trabalho, os discípulos não reconheceram o seu Mestre ali de pé, à margem, junto deles. Logo, Jesus os aborda de maneira direta, perguntando-lhes: “jovens, tendes algo para comer?” (Jo 21,5). Os discípulos estavam desolados porque, apesar do esforço e do trabalho, não conseguiram pescar nada.

No entanto, diante do apelo de Jesus para que lançassem as redes à direita da barca, algo inusitado aconteceu. A pesca fracassada tornou-se abundante. Abundante também foi o reconhecimento daquele estranho como o Senhor (Cf. Jo 21, 7).

O modo como Jesus se aproximou dos discípulos retrata a sua pedagogia. Mostra o seu jeito de se revelar. Quis que os jovens lhe dessem de comer. Também fez isso com a Samaritana pedindo-lhe água (Cf. Jo 4, 7b) e com os apóstolos para que dessem de comer à multidão (Cf. Lc 9, 13).

Jesus quer discípulos protagonistas. Prepara-os para oferecerem o que têm de melhor. Não os deixa acomodados e paralisados diante dos fracassos e dos desafios que a vida lhes impõe. Suscita neles o desejo de lançar as redes novamente e os faz vibrar pelo sucesso alcançado.

Dom Bosco, por sua vez, desde o início da Congregação Salesiana, promoveu o protagonismo. Acolhia os meninos, ensinava, acompanhava e promovia. Não pensava em contar com eles somente quando crescessem e já fossem adultos preparados para a vida, mas, já contava com eles desde quando pisavam no oratório.

Através da assistência-presença, o santo dos jovens conhecia cada vez mais os seus meninos, percebia os seus dons, sentia a corda sensível e a fazia vibrar. Alguns vibraram tanto que começaram, com ele, a Sociedade de São Francisco de Sales e assumiram corajosamente o projeto do fundador, apesar das incertezas daquele tempo.

A presença educativa faz toda a diferença. Acompanhando o crescimento do jovem, conseguimos perceber a sua essência e o ajudamos a desenvolver o que traz de melhor.

O protagonismo juvenil deve ser compreendido na dinâmica do desenvolvimento integral da pessoa. Não é o fim, mas o meio. Por isso, o acompanhamento é essencial neste processo. É preciso ajudar o jovem a tomar consciência das suas qualidades e dos seus limites. As qualidades devem ser potencializadas e desenvolvidas para o bem; os limites acolhidos, trabalhados e, em alguns casos, superados. Em outros casos, apenas acolhidos e aceitos.

Cada jovem traz consigo uma realidade complexa totalmente nova e única. A etapa em que ele se encontra na sua vida precisa ser respeitada. A intervenção educativa, isto é, a “palavra ao pé do ouvido”, da parte do educador, será o instrumento de que Deus utilizará para trabalhar o coração do jovem, transformando-o e promovendo o seu crescimento.

Por outro lado, não se pode confundir protagonismo com pseudoliberalismo, onde tudo é permitido, sem o acompanhamento e a presença educativa. A assessoria é fundamental no processo educativo. A pessoa adulta, madura na fé, que já integrou as dimensões mais importantes da sua vida, tem muito a oferecer ao jovem e ele precisa aprender a aprender.

O crescimento da pessoa só será possível se houver abertura para acolher a novidade de Deus e esta novidade é testemunhada pelo educador à luz do Espírito Santo e vivenciada no cotidiano, no pátio, nas conexões, no vai-e-vem da história e nas vicissitudes da vida.

 A cada dia temos mais convicção de que o protagonismo é um verdadeiro instrumento de desenvolvimento integral da pessoa do jovem.

 

Por Pe. José Ricardo Mole, sdb