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Beata Maria Troncatti: “Caminhando com Maria, sempre. ” Pastoral
Beata Maria Troncatti

No dia 25 de agosto, a Família Salesiana celebra a beata Maria Troncatti, Filha de Maria Auxiliadora (FMA) e missionária na selva Amazônica por muitos anos. O texto a seguir, escrito por Ir. Piera Cavaglia, conta um pouco da história de Maria Troncatti e sua devoção à Maria Auxiliadora.

 

A vida de Irmã Maria Troncatti se desenvolve em uma profunda comunhão com Maria Auxiliadora, expressa em uma confiança inabalável. Irmã Troncatti desengatava as Ave Marias como a respiração de sua alma e tirava desta oração, força, serenidade e audácia missionária.

 

Com a idade de 15 anos, Troncatti aderiu, com entusiasmo, à Associação das Filhas de Maria. Desde então, levou a sério o fato de que Nossa Senhora é Mãe e não abandona suas filhas. Por viver essa experiência inúmeras vezes em sua vida, o fato tornou-se, para ela, uma evidência de que Maria está presente e acompanha de perto seus filhos e filhas.  

 

Jovem Irmã, em 1909, foi acometida pelo tifo, mas recuperou-se logo após a bênção que recebera de Pe. Miguel Rua, quando este visitava a Casa Mãe, em Nizza.

 

Em Varazze, na Itália, no dia 25 de junho de 1915, durante as graves inundações que atingiram a cidade, os diques do Teiro romperam-se e uma parede da casa desabou caindo no refeitório onde ela se encontrava tomando café da manhã com outra Irmã. A água subia assustadoramente e ela pensou que ia se afogar. Rezou com muita fé: “Mostra te esse Matrem” e prometeu que se Maria Auxiliadora a salvasse e se o seu irmão retornasse da guerra, ela partiria para a missão entre os leprosos. Nossa Senhora salvou a sua vida quase que por um milagre, e ela, cumpriu a sua promessa: foi missionária de Nossa Senhora Auxiliadora.

 

As superioras a detiveram mais alguns anos em Nizza, na Casa Mãe, onde foi enfermeira de 1919 a 1922. Uma postulante recorda que a Irmã Maria era uma semeadora da confiança e do amor a Maria Auxiliadora. A recomendação mais frequente que ela fazia era: “Reze para Nossa Senhora, e verá que tudo sairá bem! Confie sempre nela e não tenha medo! Coragem, Nossa Senhora está perto de você! ”.

 

No Equador, até o final de novembro de 1922, Irmã Maria passa 3 anos em Chunchi. Depois, quando parte para a selva, entre os Shuar, estava próxima a Festa da Imaculada, a Puríssima, padroeira das Macas. Ela já tinha quase 43 anos e, experimentando medos e incertezas, estava toda imbuída do ideal de “levar Jesus” aos pobres indígenas. Isto era para ela o tônico mais eficaz contra todo abatimento.

 

Irmã Maria Troncatti repetia para si mesma: “Maria é toda a minha esperança!”. De fato, os longos anos passados junto às Irmãs, co-irmãos salesianos, jovens e adultos, Shuar e colonos, foram vividos sob o olhar materno de Maria. Sentia-A presente e ativa. Tinha-A junto dela no dia em que teve que submeter a filha do chefe da tribo ao primeiro procedimento cirúrgico de emergência. Assim escrevera a seus pais: “Imaginem, sem o necessário, apenas um canivete que tinha no bolso. Nossa Senhora me ajudou, vi um milagre, eu pude extrair a bala que tinha perto do coração e a criança ficou curada, graças a Maria Auxiliadora e a Madre Mazzarello "(Carta de 27/12/1925).

 

Nos lugares das fundações missionárias, tinham sido semeadas as medalhas de Maria Auxiliadora e, então, ficava tudo seguro. As árduas e arriscadas travessias de rios ou da floresta eram, para Irmã Maria, experiências da contínua proteção de Maria que a apoiava e a impedia de afundar. As Ave Marias ritmavam os seus passos, também quando a água era alta e ameaçadora, quando o incêndio queimava anos de trabalho ou quando doenças mortais se propagavam com violência nas aldeias. Às pessoas que chegavam às missões em busca de tratamento, dizia: “Dou-lhes os medicamentos, mas quem lhes dá a cura é Maria Auxiliadora! ”. Com Nossa Senhora por perto, Irmã Maria – como nos revela várias testemunhas - “procurava uma solução para os nossos problemas de cada dia”.

 

Durante sua trajetória, a intervenção de Maria, com espanto, fazia-se sempre presente. Certa vez, caminhando com uma menina indígena na floresta, sentiu a perna gelando e viu que uma serpente estava se enrolando nela. Prendeu a respiração e disse com voz baixinha: “a serpente! ” A menina, assustada, mas esperta, lhe responde: “Madre Maria, não se mova! ”. Ela ficou imóvel, repetindo as Ave Marias. Pouco a pouco, a serpente afrouxou o seu corpo e deslizou-se, afastando dali. A menina disse, cheia de espanto: “Oh, Madre Maria, se ela não tivesse ido embora, o que teria acontecido? ”. E Irmã Maria disse: “É muito simples, eu estaria morta. Mas veja como Nossa Senhora vela por nós? ”.

 

A mesma eficácia maravilhosa de muitas de suas intervenções terapêuticas ou cirúrgicas encontra explicação na constante e confiante oração. Irmã Maria pedia aos doentes e a todos para dar lugar a Deus para que Ele e Maria Auxiliadora pudessem intervir. E ela lhes dava o exemplo.

 

O Salesiano, Pe. Miguel A. Ulloa Domingues, conta um acontecimento de quando preparavam a Festa da Imaculada nas missões: “Estava ensinando a Missa do Perosi a um grupo de Filhas de Maria. Irmã Troncatti estava sentada em um canto do coro. Num certo momento pareceu-nos que ela tinha adormecido. Uma menina me disse: “Não cantemos mais, pois Irmã Maria está dormindo! ”. Ela abriu os olhos e disse: “ Continuem a cantar, não estou dormindo. Estou meditando sobre o amor que Maria tem por nós. Ella es para mi, todo. [Ela é tudo para mim ]”.

 

Muitos reconheciam que a maternidade que Irmã Maria manifestava por todos era um reflexo vivo da bondade da Mãe de Deus e de seu cuidado para com cada um de seus filhos. Pode-se realmente afirmar que ela foi “auxiliadora” com a Auxiliadora.

 

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