notícias da pastoral

"Vida", confira novo artigo da seção Mural Jovem Mural Jovem
Fonte: Wellington Gonçalves Pereira

O portal RSB, por meio da seção Mural Jovem, dá a palavra aos membros da Articulação da Juventude Salesiana. Neste mês, a reflexão é do jovem Wellington Gonçalves Pereira. Ele é membro do Conselho Nacional da AJS, representando a Inspetoria Salesiana Santo Afonso Maria de Ligório (Campo Grande-MS), e trabalha na obra social Salesianos Ampare.

 

 

Vida

 

Por Wellington Gonçalves Pereira

 

São mais de sete bilhões de pessoas, completamente distintas umas das outras, todas com suas subjetividades a todo vapor. Transcende-nos a capacidade de compreendermos a complexidade da existência humana. É inimaginável a possibilidade de conseguirmos recriar a vida como um produto. Sem a matéria humana não podemos criar outro humano, não podemos construir um ser humano do vácuo; é impossível, por isso, e por tantos outros motivos, a vida torna-se um presente divino.  

 

Ela não é em nada simples, ela é a mais bela criação de Deus, a obra-prima do ser que é onipotente, onisciente e onipresente. Então por que iríamos esperar algo fútil e banal? Por que iríamos imaginar que ela em sua totalidade seria simples? A vida a todo o momento se refaz, evolui, de uma maneira que não se iguala a nada que conhecemos. E ainda nos tornamos pequenos ao pensarmos que somos os únicos a possuí-la, sendo que existem organismos que também possuem a vida, os quais nem podemos enxergar por nossas limitações biológicas.

 

Mesmo em meio a tanta complexidade, somos simples e “somente” filhos de Deus e, por isso, por sermos “somente” isso, somos o centro da criação. A vida não é medida pelos anos que nosso corpo biológico está funcionando, a vida é “estado”, é relação, a vida é experiência, é contato, é ação, é movimento, é paz. A vida é mais que o tempo, porque existir não significa estar vivo fisicamente somente, é estar presente de alguma forma nesse mundo, é transcender a própria existência.   

 

Só existimos para significarmos, para sermos algo, para termos sentido, do contrário não seremos felizes. A vida só tem sentido quando fazemos dela uma ponte para que outras vidas encontrem sentido. Só nos deparamos que existimos porque conhecemos o “outro”, e tudo o que fazemos é para ele e, quando assim não for, não nos encontraremos, pois até mesmo quando cuido de mim mesmo é porque estou me preparando para a relação com o que está para fora daquilo que sou.

 

Em toda a sua totalidade a vida torna-se reduzida ao contato, e não que esse contato seja simples, longe disso, ele é tão complexo quanto a própria vida, pois é nele que damos significado a ela.

 

Nós nos esquecemos de que na verdade o outro importa sim, que, ao final de tudo, não podemos ser sozinhos. Nunca poderei viver isoladamente sem me perder de mim mesmo. Só sei que vivo quando me comparo, quando vejo no outro também aquilo que há em mim.  A vida, além de qualquer coisa, é relação, contato, significado. Vida não é de dentro para fora, é justamente o inverso. Quando realmente entendermos isso, seremos mais.

 

Neste ponto evoluiremos e, assim como Jesus, iremos viver eternamente além do tempo cronológico, pois iremos significar. Vida é existir para além das bordas individuais, é viver além do meu mundo. A vida, ao final de todo o processo, é coexistir.